O Brasil estava prestes a se redemocratizar, o ano era 1987 e a Polícia Militar do Rio Grande do Norte não tinha nenhuma integrante mulher em seu quadro, o que fez com que a instituição tomasse providências para se reinventar e admitir policias femininas. As percursoras foram as coronéis Angélica e Tereza, ambas formadas na Academia de Paudalho, em Pernambuco.
As duas oficiais voltaram ao Estado com uma missão, comandarem a primeira turma de praças exclusivamente feminina formada no Rio Grande do Norte, em 1990.
Há 35 anos, 67 mulheres guerreiras faziam história no RN. Elas davam início à primeira e única turma de policiais feminina, batizada de “Pioneiras Potiguares”, destas 57 seguiram na segurança pública. Desde então, poucas vagas foram abertas ao público feminino, e apenas em turmas mistas.
“Construímos uma história dentro da Polícia Militar e dentro do Estado. Fomos a primeira turma, com todas as dificuldades que a época tinha, de falta de possibilidades… Mesmo assim conseguimos estar neste espaço que era exclusivamente de homens. A Polícia Militar era um universo masculino e ainda hoje é se a gente for contar, dado o número de mulheres e homens que nós temos atualmente”, conta a subtenente reformada Célia Lins, em entrevista ao SINSP, em 2021.
Célia era jovem, assim como todas as outras 66 soldados, com idades entre 18 e 20 anos. Na época, mesmo tão novas, elas já tinha noção que estavam marcando os seus nomes na memória de todas que viriam depois.
“Eu era muito nova ainda, mas já entendia que era um momento incrível. Ainda não pensava nos riscos, nem entendia a missão. Eu fui entender da dificuldade, eu fui entender dos perigos com o tempo”, lembrou a subtenente.
A única PM a entrar na corporação como soldado e chegar a patente de coronel até hoje é Margarida Brandão. Ela era uma das 67 pioneiras que batalharam muito e continuam na luta há 35 anos.
“A gente já começou a conquistar esse espaço no curso de formação. Fomos formadas separadamente dos homens. Aí com o decorrer dos anos, nos cursos de formação, as mulheres já passaram a fazer parte, homens e mulheres. Isso foi um avanço porque os homens percebiam que a mulher também fazia o que eles faziam. Que a gente não tava ali pra conquistar passagem, de briga, de confusão, pelo contrário, a gente tava pra ajudar. Essa primeira turma veio exatamente pra mostrar isso”, afirma a coronel Margarida, que ainda segue na ativa.
As pioneiras também ficaram marcadas com uma data. Dia 11 de setembro é o dia da policial feminina no RN, em alusão a turma de 1990.
“Entramos no calendário oficial do Estado como sendo o dia da policial feminina em nosso RN. Há um ano foi criado pela governadora essa data. O que nunca imaginaríamos, que a nossa turma se tornaria uma data oficial”, conta com alegria a subtenente Célia Lins.
Que daqui a mais 35 anos, tantas outras mulheres possam se incorporar ao quadro da Polícia Militar e que histórias como essa se tornem cada vez mais comuns. As pioneiras nunca deixarão de ser um marco importante e necessário para o nosso Estado. Parabéns, mulheres!
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