Hoje é um dia de memória, celebração e luta. O Dia Internacional da Mulher Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, nasceu em 1992, no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, República Dominicana.
A data foi criada para destacar a resistência das mulheres dessa região, especialmente das mulheres negras, indígenas e marginalizadas, que enfrentam camadas de opressão – de gênero, raça e classe – mas nunca se calaram.
A história das mulheres latino-americanas e caribenhas é feita de coragem e transformação. Elas estão nas linhas de frente dos movimentos sociais, nas artes, na política e na ciência, desafiando estruturas que tentam silenciá-las.
Mulheres como Rigoberta Menchú, líder indígena guatemalteca que denunciou genocídios e ganhou o Nobel da Paz; Vilma Reis, socióloga e ativista brasileira que combate o racismo e a violência policial; e Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados e voz potente contra as mudanças climáticas, mostram que a luta por justiça não tem fronteiras.
A cultura também é um campo de batalha e vitória. Cantoras como Susana Baca, do Peru, e Cardi B, estadunidense de origem caribenha, carregam em suas obras as raízes e dores de suas ancestralidades. Escritoras como a nicaraguense Gioconda Belli e a brasileira Conceição Evaristo transformam palavras em armas contra a invisibilidade.
Mas a realidade ainda é dura. A América Latina é uma das regiões mais perigosas para ser mulher, com altíssimas taxas de feminicídio, principalmente em países como Honduras e El Salvador. A desigualdade econômica atinge com mais força as mulheres negras e indígenas, que têm menos acesso a empregos dignos e educação. E as crises migratórias, como as enfrentadas por venezuelanas e haitianas, revelam a vulnerabilidade extrema das mulheres refugiadas.
Neste 25 de julho, a data não é apenas sobre reconhecimento, mas sobre ação. É urgente apoiar coletivos locais, consumir obras de mulheres latinas e caribenhas, pressionar por políticas públicas eficientes e, acima de tudo, ouvir aquelas que há séculos são silenciadas. Como diz a ativista Francisca Rodríguez, do Chile: Não somos as mesmas de antes, mas continuamos as mesmas: insubmissas.
Que esse dia reacenda a chama da resistência e lembre ao mundo: as mulheres da América Latina e do Caribe não recuam.

