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    Home»Política»O estranho caso da crítica correta, mas sem legitimidade
    Política

    O estranho caso da crítica correta, mas sem legitimidade

    7 de outubro de 2025
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    Por Carlos Teodosio* 

    O Partido dos Trabalhadores (PT) emergiu no cenário político brasileiro no início da década de 1980, forjado na resistência à ditadura militar e na efervescência da luta pela redemocratização do País. Desde sua concepção, diferenciou-se da esquerda tradicional, tanto comunista quanto trabalhista, apresentando-se como uma força política singular.

    Em menos de dez anos de existência, o PT já havia estabelecido uma base sólida em diversos segmentos da sociedade, conquistado o governo de capitais e estados cruciais e alcançado o segundo turno na primeira eleição presidencial após o fim da ditadura.

    Sua ascensão meteórica se deu, em grande parte, por um modelo de organização interna inovador: a criação de núcleos de base, a introdução de cotas para mulheres nas instâncias de direção, a priorização de deliberações coletivas e a prática da democracia interna. Soma-se a isso a reconhecida qualidade da ação de seus parlamentares e a inversão de prioridades nas administrações municipais e estaduais, que o consolidaram como a grande novidade na política nacional.

    A Degeneração: De Vanguarda a Oligarquia

    É, no mínimo, paradoxal constatar que o partido que revolucionou a maneira de fazer política no Brasil, ao se consolidar nos espaços institucionais do parlamento e do executivo, passou a incorporar as mesmas velhas práticas das oligarquias partidárias. O que era uma força de mudança se transformou, de certa forma, em um “museu de grandes novidades”, adotando a rotina que um dia prometeu combater.

    Igualmente desafiador é determinar o momento exato em que o PT abdicou de sua condição de partido dirigente e organizador dos processos eleitorais. Dois episódios emblemáticos, ocorridos no âmbito estadual, caracterizam esse estranho comportamento partidário.

    A Evidência do Dirigismo Externo

    Comecemos pelo mais recente: o ano era 2021, e o autor compunha a Executiva Municipal do PT em Natal. À época, Manoel Júnior Souto, um dos quadros mais sensíveis e politicamente honestos do partido, presidia o PT/RN. Cansado de acompanhar nos jornais as recorrentes notícias de que Raimundo Alves, Chefe do Gabinete Civil do Governo Fátima, desmentia o presidente do partido sobre o processo de alianças para a reeleição da governadora, o autor propôs uma iniciativa na Executiva.

    A sugestão era convocar o Diretório Municipal com a seguinte pauta: Análise da conjuntura pré-eleitoral, com o convite a Raimundo Alves para um balanço das ações do governo e a Júnior Souto para um balanço da política de aliança do partido para as eleições de 2022.

    Para surpresa de poucos, o “Rei Raimundo 13” negligenciou o balanço das ações governamentais e centralizou sua explanação nas conversas com os partidos aliados. Detalhou os avanços para compor a chapa majoritária com o MDB, indicando Walter Alves como candidato a vice. Sua fala foi a prova cabal de que todo o processo de discussão e composição da chapa para 2022 havia sido conduzido exclusivamente pelo governo, na pessoa do Chefe da Casa Civil, o “Rei Raimundo 13”.

    O Precedente de 2018 e a Crítica Ilegítima

    Quatro anos antes, nas eleições de 2018, a militância já havia sido surpreendida com a indicação de Jean Paul Prates, então ilustre e completamente desconhecido das bases, para a primeira suplência de Fátima Bezerra, candidata ao Senado. Mais uma vez, esse processo teve o comando e a voz forte do “Rei Raimundo 13”.

    O paradoxo se completa agora, quando, estranhamente, o mesmo Jean Paul Prates emerge em público falando em RAIMUNDEMOCRACIA no interior do PT.

    A crítica é correta em seu conteúdo, mas completamente desprovida de legitimidade em sua origem, vindo de alguém que se beneficiou diretamente da estrutura de poder que agora ironiza.

     

    * Educador popular, militante histórico do PT

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