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    Home»Política»“Só o pagamento das folhas atrasadas não resolverá, o governo tem de ter alguma política pública para resolver o problema que não criamos”: afirma professor da UERN
    Política

    “Só o pagamento das folhas atrasadas não resolverá, o governo tem de ter alguma política pública para resolver o problema que não criamos”: afirma professor da UERN

    21 de outubro de 2020
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     RESUMO      

    • • Professor apresentou dados sobre o impacto social após o início dos atrasos salariais dos servidores

    • • Apresentação teve participação de direções sindicais do RN

    • • Professor afirmou que estudo é baseado nos anos 2016, 2017 e 2018, mas que atrasos seguem até 2020

    • • Dentre os números: 72% não tinham nenhuma outra fonte de renda além do serviço público

    • • 65% dos servidores tiveram que fazer empréstimos

    • • 43% adoeceram após o início dos atrasos salariais por parte do governo do Estado


       

    O professor da UERN, Auris Martins, apresentou os resultados obtidos no seu estudo sobre o impacto social ocasionado a partir dos atrasos salariais na vida dos funcionários públicos do Estado do RN. A apresentação aconteceu numa live do Fórum dos Servidores, nesta quarta-feira (21) e contou com a presença de lideranças sindicais do SINSP, ADUERN e SINDJUTIÇA.

    “Encontrei um colega servidor público aposentado e ele começou a chorar como uma criança e depois desse encontro decidimos fazer um trabalho acadêmico sobre os problemas ocasionados com os atrasos salariais. Ficava aquela inquietação, aquela angústia ao ouvir o relato dos servidores”, explicou o professor Aruis Martins, que contou com a ajuda da professora Rosângela Queiroz e da estudante Brena Samara de Paula na pesquisa.

    O professor de ciências contábeis deixou claro que o estudo é baseado nos atrasos salarias que tiveram início em 2016, 2017 e 2018 mas que esses atrasos seguem até 2020.

    A pesquisa entrevistou 361 servidores. Desses, 84% estavam na ativa, 72% não tinham nenhuma outra fonte de renda além do serviço público, e a maioria estava há mais de 30 anos trabalhando para o Estado.

    Os números apresentados no estudo demonstram a gravíssima situação que os servidores públicos do RN estão passando por conta do atraso salarial por parte do governo.

    Apenas 40% dos servidores tinha alguma reserva financeira quando os atrasos tiveram início, e 25% deles foram obrigados a mexer imediatamente nas suas poupanças.

    43% dos servidões adoeceram após os atrasos do governo. As queixas principais foram de doenças psicológicas, como depressão.

    65% fizeram empréstimos, e 27% fizeram consignados especialmente para pagar dívidas iniciadas após o não recebimento dos seus salários. Outros 38% dos servidores se viram obrigados a vender bens pessoais para ter algum dinheiro para manutenção de suas vidas. E mais da metade deles, 56%, utilizaram o cheque especial, como escapatória para a situação.

    Após a divulgação dos resultados, o professor Martins concluiu que: “as evidências encontradas no estudo permite dizer que há uma constatação que a realidade é assustadora”, o pesquisador ainda afirmou que “mulheres, profissionais acima dos 50 anos, que possuem filhos, e os que não tem outro vínculo de emprego, foram os que tiveram mais dificuldade para lidar com esse problema”.

    A presidente do SINSP, Janeayre Souto, participou da divulgação do estudo intitulado “Mensuração do endividamento e prejuízos financeiros dos servidores públicos estaduais provocados pelos sucessivos atrasos salariais promovidos pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte nos anos 2016, 2017 e 2018”, e lembrou da luta dos sindicatos contra os atrasos salariais: “É um importante estudo que comprova cientificamente o que nós temos dito nos nossos discursos e nas nossas ações políticas”.

    Por fim, o professor Auris Martis afirmou que o governo tem de trabalhar para ajudar essas pessoas, muito além da obrigação constitucional de pagar seus salários: “só o pagamento dos dois salários atrasados não resolverá, o governo tem de ter alguma política pública, algum convênio, para resolver esse problema que nós servidores não criamos”.

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