Em um ato que será registrado pela história como um dos mais obscuros da legislatura, a Câmara dos Deputados, sob o comando do presidente Hugo Mota, aprovou nesta terça-feira (09), a polêmica PL da Dosimetria para livrar golpistas de penas duras.
Longe de um debate técnico, o que se viu foi uma manobra política escancarada, uma verdadeira arquitetura da vergonha nacional, onde a artimanha superou o interesse público.
A denúncia que ecoa pelos corredores e pelas redes sociais é grave: a votação foi utilizada como disfarce para anistiar políticos específicos, golpistas condenados pela Justiça, inserindo brechas e artigos que nada têm a ver com o interesse da nação.
É a velha política do toma-lá-dá-cá, agora vestida com a roupagem de um projeto complexo. O presidente da Casa, longe de ser um mediador neutro, revelou-se o maestro desta operação de mau caráter, permitindo que a Constituição fosse rasgada diante dos olhos do povo brasileiro.
A estratégia foi clara: embaralhar o debate, criar confusão processual e, no turbilhão, garantir benefícios a grupos de interesse. Chamar este conjunto de manobras de "trabalho legislativo" é um insulto à inteligência dos cidadãos e um atestado de falência moral da liderança da Câmara. Hugo Mota não apenas falhou em conduzir uma pauta séria; ele orquestrou ativamente seu desvirtuamento.
Este episódio vai além de uma simples derrota política para a posição. É uma derrota para a democracia e para a transparência. Mostra um Parlamento onde acordos nos bastidores valem mais que o debate público, e onde a Constituição é um empecilho a ser contornado, e não a lei maior a ser respeitada.
A pergunta que fica, e que deve ecoar nas próximas eleições, é: quem será o próximo a ser "anistiado" por esta mesma liderança, à custa do erário e da legalidade? A Câmara de Hugo Mota parece ter encontrado sua vocação: não legislar para o futuro, mas arquitetar, nos escombros da ética, a vergonha do presente.

